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domingo, 14 de dezembro de 2008

A Escalada do Monte Improvável


A Escalada do Monte Improvável é um livro de Richard Dawkins editado em Portugal pela Gradiva para a colecção Universidade de Aveiro, em Lisboa, Fevereiro de 1999.
É na qualidade de biólogo evolucionista que o autor escreve este livro, dirigido a responder às provocações e contestações criacionistas e esclarecer os dilemas gerados em redor da Teoria da Evolução.

Como refere o título, Dawkins usa a metáfora do Monte Improvável para retratar o processo da evolução, em que os seres vivos fazem um percurso com uma ligeira inclinação, até atingir o cume do Monte, representando a gradualidade do processo evolutivo, sem alterações abruptas e pouco prováveis. A evolução é então apresentada como um caminho relativamente simples, ao longo do qual surgem situações/problemas que seleccionam os seres vivos, permitindo que prossigam os mais adaptados, deixando para trás os inaptos. Esta ideia é bem retratada no excerto: "O declive gradual [do Monte Improvável] apresenta, ocasionalmente, um pequeno penhasco rochoso mas, em geral, pode-se encontrar um desvio não demasiado íngreme para um caminhante em boa forma física, com sapatos apropriados e que tenha algum tempo à sua disposição."
Na generalidade, em cada capítulo, o autor procura explicar a evolução de diversas estruturas de seres vivos à luz da teoria da evolução: a construção de teias de aranha, surgimento das asas, olhos, conchas, embriões, grãos-de-polén, etc, sempre simbolizada pela parábola do Monte Improvável.
Em relação ao conteúdo, o autor explica de forma clara diversas duvidas a respeito da Teoria da Evolução, mesmo aquelas mais argumentadas pelo Criacionismo. No entanto, quanto à forma, o livro deixa muito a desejar. Cada capítulo é demasiado extenso para o tema que aborda, sendo muito repetitivo, que, em conjunto com a forma de escrever divagada do autor, torna a leitura aborrecida e desinteressante,ainda que acompanhado de algumas imagens ilustrativas do conteúdos de cada capítulo.
Foi certamente o factor que fez com que demorasse imenso tempo a concluir a leitura do livro.

No que diz respeito à capa do livro, não me parece nada apelativa e, talvez por ignorância minha ou pura distracção, não lhe encontro muita relação com o tema tratado ou, pelo menos, nada que o simbolize!

De qualquer forma, sendo o conteúdo interessante, aconselho a sua leitura a qualquer pessoas ligada às ciências biológicas, pois é, por um lado, esclarecedor e, por outro, dá a conhecer diversos facto do mundo vivo com que nos deparamos diariamente, sem compreender a sua verdadeira essência.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

NEXT


NEXT, editado em Portugal pela editora Dom Quixote em 2006, é um livro de ficção científica que engloba vários temas polémicos do actual mundo da ciência. Não sendo fácil para o leitor estabelecer os limites entre a realidade e a ficção, o enredo força a um leitura atenta e interessada, levantando diversas questões do foro científico, entre as quais a evolução de espécies à imagem humana. Diversas companhias de pesquisa genética, apoiadas por investimentos privados e governamentais procuram manipular geneticamente diversos animais, atribuindo-lhes características humanas ao ser-lhes aplicados genes de humanos: é o caso de Gerard, o papagaio que resolve problemas básicos de matemática e decora diálogos, imitando na perfeição as vozes dos intervenientes; Dave, o chimpanzé que fala e assume uma família de humanos; um orangotango poliglota, que ofende quem o incomoda, em diversas línguas. Neste campo são retratadas as implicações morais da atribuição de características humanas aos animais em questão, como a incapacidade de viver em sociedade, agressividade, intrigas, etc.
Outro tema também enfatizado na história são as patentes de genes. A corrida incansável dos investigadores sem escrúpulos pela descoberta de pequenas porções de DNA, que os tornam milionários por cada vez que o “seu” gene for usado.

É de suma importância que se abordem estas questões éticas, não tão futuristas como se possa pensar. Embora o livro contenha alguma conotação fictícia, a verdade está mascarada detrás dela, levando à reflexão, por direito e por dever, sobre até que ponto o Homem, enquanto considerada a espécie mais evoluída de toda a história da Terra, tem legitimidade para comandar e "personalizar" os mecanismos naturais da evolução.

Michael Crichton é autor de outras obras de igual modo interessantes, desafiando e confrontando a realidade e a ficção, entre as quais Jurassic Park, Lost World e a série televisiva ER.